Música e dança clássica japonesa no XII Festival do Japão

O casal Miriam Sumie e Shigeo Saito, que lidera uma agremiação das escolas de cítara koto e de flauta shakuhachi, instrumentos tradicionais japoneses, em São Paulo, estará presente no XII Festival do Japão na Paraíba. O casal representa a continuidade dos pioneiros da música e dança clássica japonesa no Brasil, o casal Miyoshi, imigrantes em 1931, que trouxeram em suas bagagens tais instrumentos e o alaúde shamisen.  O primeiro recital de música japonesa em João Pessoa foi realizado pela agremiação, em outubro de 2004, representando a semente da Associação Cultural Brasil-Japão da Paraíba, fundada um mês depois. Em João Pessoa a agremiação prestigiou a IV Feira da ACBJ-PB, com a estreia latino-americana da peça Gojôgen.

Miriam Sumie Saito começou a estudar koto e shamisen com a mãe Miwa Miyoshi desde seis anos de idade. Assumiu a liderança do Miwa-kai desde 1990. Professora e fundadora da sucursal brasileira do ramo Seigen-sha (da escola Ikuta-ryû), em São Paulo, em 2008, quando recebeu o título de mestre. Shigeo (Shinzan) Saito iniciou o aprendizado de shakuhachi, em 1965, com o Grão Mestre Jûzan Miyoshi. Ele fundou o Shinzan-kai (sucursal da escola Tozan-ryû, com sede em Kyoto), em 1998, quando obteve o título de mestre. Tornou-se Grão mestre em 2005.

Em reconhecimento ao empenho pela música desde o período pré-guerra, a agremiação dos Saito se apresentam tanto no âmbito interno quanto externo à comunidade japonesa. No primeiro são convidados anualmente a participar da missa em memória dos imigrantes, do Festival Geinôsai de música e dança tradicional, e atuam também para entidades beneficentes. No âmbito externo já atuaram em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Olímpia, Recife e João Pessoa, em datas comemorativas, encontros, congressos e eventos, destacando o Centenário da Imigração Japonesa, no Palácio das Convenções Anhembi, e outras, como no pavilhão de chá japonês (no parque Ibirapuera) e Centro Cultural de São Paulo.

O professor Saito, que também pratica kendô participará da demonstração dessa arte marcial tocando shakuhachi. Assim a música poderá nos conduzir no sensorial de diferentes tempos e propósitos: o artístico, o religioso/contemplativo e o marcial).

 

TEXTO: Alice Lumi